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Jornalistas precisam adaptar rotina produtiva às novas ferramentas e linguagens da profissão; CBN tenta unir tecnologia aos traços originais do rádio 

Fonte / Pixabay

Compreender as mudanças na lógica de produção de notícias é tarefa árdua. Em um passado não muito distante, os repórteres de um jornal impresso precisavam apenas se deslocar ao local do fato, colher depoimentos de pessoas envolvidas e redigir um texto para a edição seguinte da publicação.

Hoje em dia, contudo, a situação é diferente. É preciso alimentar diversas plataformas. O mesmo jornalista produz textos diferentes para o jornal impresso e para o portal, além de gravar vídeos, fotografar o acontecimento e preparar posts para as redes sociais.

O CONCEITO

Quando duas ou mais mídias de linguagens distintas se unem para contar a mesma história, há a convergência midiática; a expressão foi cunhada pelo comunicólogo estadunidense Henry Jenkins. Muitos profissionais acabam perdidos em um mar de novas tendências e não conseguem se adaptar às novas faces do mercado.

 

No entanto, para Cristina Alkmin, mestre em comunicação e mídias digitais, trata-se de uma questão de sobrevivência e adaptação às exigências do mercado. “Quem ainda não entendeu essa lógica acaba ficando para trás”, destaca.

 

CONVERGÊNCIA ≠ TRANSCRIÇÃO 

A ideia de convergir e integrar o mesmo conteúdo a plataformas de diferentes naturezas passa por uma premissa básica: não basta contar uma mesma história sob óticas diferentes. É preciso explorar as características de cada meio, como numa espécie de rede informativa, em que cada ferramenta funciona como complemento à outra.  

 

Dados da Pesquisa Brasileira de Mídia de 2016, editada pelo Ministério de Comunicações e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 26% da população brasileira tem a internet como principal meio de consumo de informação. A televisão, com 63%, lidera.

 

A preferência pela internet aumenta nas faixas-etárias mais jovens. Se 24% dos brasileiros entre 35 e 44 anos citam a web como meio de informação primário, o número chega aos 50% entre os cidadãos de 18 a 24.

 

Segundo Cristina, o crescimento da preferência pela web não significa, necessariamente, o ocaso de meios analógicos, como a televisão e o rádio. Ela ressalta a necessidade de adaptar os veículos tradicionais ao modelo de consumidor ativo propagado pela internet.

“Os novos meios de comunicação não vêm para substituir os existentes. O que muda é o consumo das pessoas, e os meios precisam se adaptar a isso. A televisão só vai acabar se manter o mesmo formato de programação dos tempos em que não havia internet”

 

Cristina Alkimin
mestre em comunicação e mídias digitais

Em um mundo cada vez mais dinâmico e repleto de opções, o jornalismo disputa a atenção do público diretamente com o entretenimento.

 

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), datada de 2015, aponta que 92% das residências brasileiras têm o celular como principal forma de acesso à internet.

 

Por isso, há a necessidade de pensar os conteúdos não apenas para uma tela vertical e menor. Além disso, um outro fator deve ser levado em conta: os usuários desejam navegar por materiais que não demandem muito tempo ou dedicação.

 

“É preciso pensar que as pessoas vão consumir a informação por meio de tablets ou smartphones, podendo estar no trânsito ou com barulho à sua volta”, diz Cristina.

 

CBN: A RÁDIO QUE TOCA NOTÍCIA

A relação das emissoras de rádio com a web começou por meio de um mecanismo relativamente simples: a disponibilização do sinal dos dials na internet. Mais tarde, algumas estações passaram a fazer uso das lives, que transmite em tempo real, com imagens, as programações.

 

Criada no começo da década de 1990, a Central Brasileira de Notícias (CBN) surgiu como a primeira emissora brasileira de rádio a veicular noticiários durante toda a programação, modelo conhecido como all news.

Em Belo Horizonte, além do programa CBN BH, veiculado de segunda a sábado das 10h às 12h, a emissora produz o Notícias Locais, programa veiculado ao longo da programação nacional da rádio.

Fonte / Arthur Lobo

O REPÓRTER "FAZ-TUDO"
 

Assim como todos os jornais impressos e as emissoras de rádio e televisão, a CBN também foi, aos poucos, sentindo a necessidade de integrar os seus conteúdos às novas ferramentas e linguagens. A primeira reação dos meios tradicionais à cultura da convergência foi dar forma ao repórter multimídia, jornalista voltado exclusivamente à produção de materiais que transitam entre várias plataformas.

No entanto, para Guilherme Ibraim, que ancora o CBN BH ao lado de Shirley Souza, o papel de multimídia não deve ser desempenhado por apenas um profissional, mas sim por todos os envolvidos na rotina de produção jornalística.

CONVERGÊNCIA É PROCESSO NATURAL
 

Ibraim ressalta também que o processo de convergência de mídias não segue uma espécie de roteiro. A CBN, assim como os grandes veículos de comunicação, está, aos poucos, ingressando em diferentes plataformas, levando em consideração a especificidade de cada uma delas.

 

“As plataformas têm dinâmicas diferentes. Eu não posso simplesmente colocar no Twitter, como se a linguagem fosse a mesma, aquilo que fazemos para o site da CBN, exemplifica.

“Não temos um manual de convergência de mídias. Isso não existe. Vamos aprimorando e incorporando ferramentas novas, observando onde está o público e como é a resposta deles. Não é um movimento absolutamente planejado, não estamos produzindo isso para levar para outro veículo. Esse diálogo é feito de veiculo para veiculo, com as ferramentas disponíveis”  

Guilherme Ibraim
j
ornalista da CBN

A CBN BH está presente no Whatsapp, Facebook, Twitter e Instagram. Porém, segundo Ibraim, o contato com o público acontece, principalmente, por meio do aplicativo de mensagens instantâneas. A ferramenta, caracterizada por sua agilidade, possibilita um contato mais direto com o público e uma massiva troca de informações.

 

“As novas ferramentas nos ajudam a ampliar o olhar para realidades que antes eram distantes. Há uma proximidade maior com públicos que se sentiam excluídos, afastados.”, comenta o jornalista.

PARTICIPAÇÃO DIRETA

A cultura da convergência trouxe dinamismo à rotina jornalística, acelerando a coleta de informações e os processos de apuração. O público tradicional acabou transformado em prosumidor - que é um misto de produtor e consumidor da própria notícia - e tem participação direta na construção dos materiais veiculados.

 

Ibraim destaca que a participação dos ouvintes é uma característica fundamental do rádio. Na visão do jornalista, contudo, as novas ferramentas ajudaram a aumentar substancialmente o número de contribuições externas.

 

“Brincávamos que o Brasil tinha 200 milhões de técnicos de futebol. Hoje, com o celular na mão, podemos ter 200 milhões de produtores de conteúdo, mesmo que não necessariamente jornalistas”

Guilherme Ibraim
j
ornalista da CBN

 

Ele exemplifica lembrando de uma reportagem sobre um caminhão-cegonha que, diariamente, era estacionado irregularmente em determinado ponto de Belo Horizonte. Após sucessivas queixas de ouvintes, a rádio enviou uma equipe de reportagem ao local e constatou a veracidade do problema.

 

“O problema que determinada pessoa tem pode ser o embrião de algo maior”, completa.

 

As novas ferramentas, apesar de contribuírem para aproximar os consumidores de informação dos veículos de imprensa, também atuam de forma oposta. A internet é terra fértil quando o assunto é a disseminação de notícias falsas.


Embora muitas pessoas acreditem nas fake news, Ibraim lembra que outros tantos recorrem aos jornais e emissoras para checar se determinadas informações têm procedência. “As pessoas se informam pelo WhatsApp, mas ainda procuram os veículos de comunicação para assegurar a veracidade - ou não - de uma informação”, pontua.

Prints do site, facebook, instagram e Twitter CBN

 

Saiba mais  

O Observatório da Imprensa falou sobre as características da cultura da convergência. O texto, assinado por Gilberto Balela Consoni, é de 2012. No Medium, Marian Benevido lista as mudanças que a integração entre mídias trouxe à rotina das redações.

 

Em 2009, o português José Azeredo Lopes, à época presidente para a Entidade Reguladora para a Comunicação Social de Portugal, foi entrevistado pelo programa “3 a 1”, da TV Brasil. O assunto foi justamente a relação da imprensa com as tecnologias emergentes.

Leia também  

A crescente influência do WhatsApp foi abordada também pela Folha de S. Paulo que falou sobre a utilização do aplicativo por parte dos, até então, pré-candidatos à presidência.


O Terra repercutiu, no último dia 14, a última edição do relatório Global Mobile Trends, pesquisa produzida pela associação que representa as operadoras móveis da Europa. Segundo o levantamento, a convergência tem possibilitado a criação de conteúdo audiovisual local na América Latina.

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